carta ao rei

Querido Roberto,

Disseram, com razão, que o tempo passa o tempo voa e você não muda. Que seu corte de cabelo continua o mesmo, embora os fios estejam mais grisalhos. Que você continua jogando as mesmas rosas para a plateia [144 vermelhas e 36 brancas, pelos meus cálculos] e continua chamando o Erasmo de “meu amigo de fé, meu irmão camarada”, embora o mundo esteja um bocado diferente e os amigos às vezes não liguem nem se importem. Que você continua cantando “Jesus Cristo” enquanto a novela das oito passou a começar às nove, o Caetano passou a tocar rock, o Gil passou pro lado dos políticos e o Chico só quer saber das literaturas.

Verdade, Roberto.

Você continua cantando “Emoções” do mesmo jeito, entortando o microfone enquanto fala do momento lindo que vive quando está ali, as mesmas emoções sentindo, tantas já vividas, momentos que não esqueceu, detalhes de uma vida, histórias que contou, amigos que ganhou, saudades que sentiu partindo e às vezes que deixou alguém te ver chorar sorrindo [bonito homem que deixa a gente ver ele chorar, né, Roberto?; eu acho bonito demais].

Você continua dizendo “que prazeeeeeer, uma pausinha, rever vocês” no começo dos seus shows, qualquer que seja o show e quaisquer que sejam os vocês que você está revendo. Continua com a mania de desprezar as roupas marrons [disseram que que você é vintage, Roberto, que é como uma receita de bolo de nossas avós e que, por ser tão igual num mundo que roda cada dia mais diferente, traz tranquilidade e um certo sabor de infância].

Você pode, Roberto [mas não precisava censurar o livro daquele moço, isso não precisava]. Sabe que é preciso saber viver, gosta da velha calça desbotada ou coisa assim, revelou outro dia para um fã sua paixão pelo Palmeiras do meu pai, meu irmão e, agora, meu sobrinho e, ao que parece, até parou de negar as raízes que tem no Sul [me disseram que os cachoeirenses andam muito felizes com você depois da festa do seu aniversário de abril passado].

Eu, sempre que posso, vou com a minha mãe ver seus shows. Ela adora [eu também], dos “Detalhes” às “Curvas da Estrada de Santos”, “Quero que Tudo Vá Pro Inferno” [às vezes também quero; você não?], “Cavalgada” [pena que você não canta mais, estrelas mudam de lugar e aquela coisa toda], as duas com nome de carro, “Além do Horizonte” e o resto da lista, que é exatamente a mesma há sabe-se lá quanto tempo – a gente só torce pra você incluir o pobre blues do Sergio Sampaio, e nada mais [é tão simples].

Até comprei três bombons da fábrica que fica do outro lado da ponte [ainda vou saber exatamente onde ele vive e vou pra lá] para concorrer à viagem pra ver você em Nova York. Ia ser demais. Aliás, pra acabar, parabéns, Roberto. Disseram com razão que você não muda. Mas nem precisa.

Vitória, 24 de setembro de 2009

a notícia do dia

Roberto Carlos diz que está em busca da ‘canção perfeita’

O cantor Roberto Carlos declarou nesta quarta à Associated Press, em Miami, que gostaria de fazer uma grande canção romântica, “uma canção que diga coisas que ainda não foram ditas”. Roberto Carlos, que completa 69 anos no próximo dia 19 (parabéns pra ele), vai passar por Nova York, Los Angeles e outras cidades dos Estados Unidos com a turnê que celebra seus 50 anos de carreira.