Ah, esse cara tem me consumido
A mim e a tudo que eu quis
Com seus olhinhos infantis
Com os olhos de um bandido
Ah, esse cara tem me consumido
A mim e a tudo que eu quis
Com seus olhinhos infantis
Com os olhos de um bandido
Ele está na minha vida porque quer
Eu estou para o que der e vier
Ele chega ao anoitecer
Quando vem a madrugada
Ele some
Ele é quem quer
Ele é um homem e eu sou apenas uma mulher
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branca, verde, vermelha, azul, amarela…
A tua presença
Entra pelos sete buracos da minha cabeça
A tua presença
Pelos olhos, boca, narinas e orelhas
A tua presença
Paralisa meu momento em que tudo começa
A tua presença
Desintegra e atualiza a minha presença
A tua presença
Envolve meu tronco, meus braços e minhas pernas
A tua presença
É branca verde, vermelha, azul e amarela
A tua presença
É negra, negra, negra
Negra, negra, negra
Negra, negra, negra
A tua presença
Transborda pelas portas e pelas janelas
A tua presença
Silencia os automóveis e as motocicletas
A tua presença
Se espalha no campo derrubando as cercas
A tua presença
É tudo que se come, tudo que se reza
A tua presença
Coagula o jorro da noite sangrenta
A tua presença é a coisa mais bonita em toda a natureza
A tua presença
Mantém sempre teso o arco da promessa
A tua presença
a música do dia
a música do dia
“Não sei não…”
a música do dia
Voltei a ouvir o Totalmente Demais hoje.
Tinha esquecido o quanto era bonito.
a música do dia (ainda a gal)
“é tão difícil, tão simples
difícil, tão fácil
de repente ser uma coisa tão grande
da maior importância…”
porque são bonitas as canções, parte dois
Era tarde, e até alguns dias antes ainda doía o vazio do ponto final daquela história.
“Ouve, fecha os olhos, meu amor. É noite ainda, que silêncio. E nós dois na tristeza de depois. A contemplar o grande céu do adeus. Ah, não existe paz quando o adeus existe. E é tão triste o nosso amor. Vem comigo, em silêncio. Vem olhar esta noite amanhecer. Iluminar os nossos passos tão sozinhos, todos os caminhos, todos os carinhos. Vem raiando a madrugada”
Tinha decidido ficar quieta com seu vazio até que fosse possível sair de um círculo sem saída e chegar a um lugar sem tantas mágoas. Mas aquele sorriso inesperado atrapalhava os seus propósitos, fazia querer arriscar de novo, de outro jeito, um outro amor, quem sabe. Então ouvia no rádio de pilha a canção que embalava a alegria repentina.
“Porque eu sou tímido e teve um negócio de você perguntar o meu signo quando não havia signo nenhum. Escorpião, Sagitário, não sei que lá. Ficou um papo de otário, um papo, ia sendo bom. É tão difícil, tão simples, é tão difícil, tão fácil. De repente ser uma coisa tão grande da maior importância”
Ele dizia que não acreditava nem em Deus, menos ainda em horóscopo, mas ela insistiu em perguntar. Era importante, mesmo que não parecesse, mesmo que a bebida tivesse passado da conta, mesmo que sentisse vergonha das manias de adolescente (e falar de horóscopo era indiscutivelmente mania de adolescente), mesmo que a razão, a toda hora, dissesse “sai daí, menina”.
Assim, de repente.
“Sabia, gosto de você chegar assim. Arrancando páginas dentro de mim, desde o primeiro dia. Sabia, me apagando filmes geniais, rebobinando o século, meus velhos carnavais, minha melancolia. Sabia, que você ia trazer seus instrumentos, invadir minha cabeça. Onde um dia tocava uma orquestra. Pra companhia dançar. Sabia, que ia acontecer você, um dia, e claro que já não me valeria nada tudo o que eu sabia. Um dia”
Era humana, repetia o tempo inteiro para si mesma, e o que torna humanos os humanos, por mais contraditório que pareça, é às vezes perder a razão. Perto dele, perdia, desviava o olhar, e queria dizer mil coisas, mas conseguia ficar apenas no que era superficial, e tentava ser simpática no minuto seguinte, e falava alto, pondo vírgulas antes do e, e o vestido sambando um pouco na parte de trás, e ela rindo feito boba quando ele passava.
“Ando tanto tempo a perguntar. porque esperar tanto assim de alguém. Percorrendo espaços no mesmo lugar. Não sei a quanto tempo estou a te buscar. Num segundo eu vou sabendo e percebendo o seu sabor. Sem ter medo estou correndo contra o vento sem nenhum rancor”
Aumentou o som, e ficou ali, abraçando a almofada com cara de sol.
“Vamos fugir deste lugar, baby. Vamos fugir. Tô cansado de esperar. que você me carregue. Vamos fugir pra outro lugar, baby. Vamos fugir. Pra onde quer que você vá. Que você me carregue. [...] Vamos fugir pra onde haja um tobogã, onde a gente escorregue. [...] Todo dia de manhã, flores que a gente regue. Uma banda de maçã, outra banda de reggae [...]”
As cinco canções, pela ordem:
Canção do Amanhecer, Edu Lobo
Da Maior Importância, Caetano Veloso
Lola, Chico Buarque
Tanto Tempo, Bebel Gilberto
Vamos Fugir, Gilberto Gil
(Vitória, 20 de fevereiro de 2005. Mas podia ser hoje)