e, por fim, uma da série leituras – seis ou treze coisas que aprendi sozinho

(um poema do manoel de barrros)

1
Gravata de urubu não tem cor
Fincando na sombra um prego ermo, ele nasce
Luar em cima de casa exorta cachorro
Em perna de mosca salobra as águas se cristalizam
Besouros não ocupam asas para andar sobre fezes
Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina
No osso da fala dos loucos têm lírios

3
Tem 4 teorias de árvore que eu conheço
Primeira: que arbusto de monturo aguenta mais formiga
Segunda: que uma planta de borra produz frutos ardentes
Terceira: nas plantas que vingam por rachaduras lavra um poder mais lúbrico de antros
Quarta: que há nas árvores avulsas uma assimilação maior de horizontes

7
Uma chuva é íntima
Se o homem a vê de uma parede umedecida de moscas
Se aparecem besouros nas folhagens
Se as lagartixas se fixam nos espelhos
Se as cigarras se perdem de amor pelas árvores
E o escuro se umedeça em nosso corpo

9
Em passar sua vagínula sobre as pobres coisas do chão, a lesma deixa risquinhos líquidos…
A lesma influi muito em meu desejo de gosmar sobre as palavras
Neste coito com letras
Na áspera secura de uma pedra a lesma esfrega-se
Na avidez de deserto que é a vida de uma pedra a lesma escorre…
Ela fode a pedra
Ela precisa desse deserto para viver

11
Que a palavra parede não seja símbolo de obstáculos à liberdade
Nem de desejos reprimidos, nem de proibições na infância etc
(Essas coisas que acham os reveladores de arcanos mentais)
Não
Parede que me seduz é de tijolo, adobe preposto ao abdomen de uma casa
Eu tenho um gosto rasteiro de ir por reentrâncias
Baixar em rachaduras de paredes por frinchas, por gretas – com lascívia de hera
Sobre o tijolo ser um lábio cego
Tal um verme que iluminasse

12
Seu França não presta pra nada
Só pra tocar violão
De beber água no chapéu as formigas já sabem quem ele é
Não presta pra nada
Mesmo que dizer:
- Povo que gosta de resto de sopa é mosca
Disse que precisa de não ser ninguém toda vida
De ser o nada desenvolvido
E disse que o artista tem origem nesse ato suicida

13
Lugar em que há decadência
Em que as casas começam a morrer e são habitadas por morcegos
Em que os capins lhes entram, aos homens, casas portas a dentro
Em que os capins lhes subam pernas acima, seres a dentro
Luares encontrarão só pedras mendigos cachorros
Terrenos sitiados pelo abandono, apropriados à indigência
Onde os homens terão a força da indigência
E as ruínas darão frutos

a notícia do dia (ou o mundo não é mais o mesmo)

Vampiro de Crepúsculo supera Tio Patinhas na lista dos mais ricos

O doutor Carlisle Cullen, personagem da série “Crepúsculo”, é o homem mais rico do mundo, segundo a revista Forbes. Cullen superou Tio Patinhas, que tem 1 bilhão de dólares a menos e liderava a lista desde que o mundo é mundo e a Forbes faz seu ranking anual de milionários do lado de lá. Com uma fortuna estimada em 34,5 bilhões de dólares, o patriarca da família Cullen tem 370 anos, razão que, segundo a Forbes, pode ajudar o fato de sua fortuna ser maior do que a do tio do Pato Donald. Também fazem parte da lista Riquinho (11,5 bilhões de dólares), Tony Stark (8,8 bilhões), Jed Clampett, da Família Buscapé (US$ 7,2 bilhões), o senhor Burns dos Simpsons (1,3 bilhão), Bruce Wayne, Artemis Fowl, Chuck Bass e até o grande Jay Gatsby.

Aqui tem a lista completa.

rebu, rubi ou misturinha?

(um texto dos tempos das Feminices na Paradoxo, em homenagem à escolha desta tarde: Desejo com Toque de Ira. Adorei.)

Acontece quase sempre:

- E aí? Qual vai ser?

A certa hora, nova edição da Caras displicentemente folheada, unhas completamente lixadas e cutículas devidamente retiradas (com respectivos bifes, ai), a manicure pergunta qual esmalte vai ser, e a gente, que passou um bocado do tempo da fazeção da unha pensando na resposta, ainda não decidiu.

(Acontece).

A escolha é complexa, por mais fútil que pareça (ok, ok, é um pouco fútil também). Porque faz toda a diferença usar Paris ou Misturinha, Rubi, Tomate ou Renda, como faz toda a diferença escolher um ou outro caminho na hora de ir pro trabalho, um ou outro vestido na hora de ir pro cinema com o vizinho, uma ou outra palavra na hora de dizer a verdade, um ou o minuto seguinte na hora de ir embora, uma canção ou outra na hora de embalar a saudade. Afinal, quase sempre, cor, caminho, vestido, palavra, adeus e canção traduzem o estado de espírito que corre por trás daquela Base Cetim para Unhas Fracas.

Existem exceções, claro, mas estudos avançadíssimos da Psicologia Cognitiva dos Salões de Beleza mostram que, geralmente, os tons em vermelho indicam ânimo, vontade e, em alguns casos, má intenção (ou os melhores propósitos da paróquia). Os clarinhos, ao contrário, deixam as unhas bonitinhas e ajeitadinhas como aquele vestidinho azulzinho que a gente usa nos batizados e afins, com diminutivo e tudo; assinalando descanso, esperas ou aquela calma que às vezes é melhor que qualquer coisa.

Os nomes são um indicativo (e uma piada) à parte. Rebu, Desejo, Pecado, Romance, Havana, Pink Fluor, Volúpia, Malícia e Affair variam entre o laranja e o grená, com todos os vermelhos do mundo no meio. O Fetiche é marronzinho e o Obsessão, meio roxo; o Deixa Beijar é mais pro rubro e o Quinta Avenida, meio rosa. Do lado oposto da paleta de cores de Colorama, Risquè, Impala e companhia estão o Galáxia, o Grace, o Pérola, o Sonho, o Magia, o Final Feliz, o Maçã do Amor, o Princesa, o Fada e, meigo e magnânimo, o Branco Puríssimo.

E aí? Qual vai ser?

momento tpm
Quer saber? Eu acho que vou aprender a pintar. Talvez amanhã…